Poesias

Der Gedanke Gott weckt einen furchlerlichen Nachbar auf. Sein Name heisst Richter.
Schiller.
Tibio o sol entre as nuvens do occidente, Já lá se inclina ao mar. Grave e solemne Vai a hora da tarde!—O oeste passa Mudo nos troncos da alameda antiga, Que á voz da primavera os gomos brota: O oeste passa mudo, e cruza o atrio Ponteagudo do templo, edificado Por mãos duras de avós, em monumento De uma herança de fé, que nos legaram, A nós seus netos, homens de alto esforço, Que nos rimos da herança, e que insultamos A cruz e o templo e a crença de outras eras; Nós, homens fortes, servos de tyrannos, Que sabemos tão bem rojar seus ferros Sem nos queixar, menosprezando a Patria E a liberdade, e o combater por ella. Eu não!—eu rujo escravo; eu creio e espero No Deus das almas generosas, puras, E os despotas maldigo.—Entendimento Bronco, lançado em seculo fundido Na servidão de goso ataviada, Creio que Deus é Deus e os homens livres!
Oh sim!—rude amador de antigos sonhos, Irei pedir aos tumulos dos velhos Religioso enthusiasmo, e canto novo Hei-de tecer, que os homens do futuro Entenderão; um canto escarnecido Pelos filhos dest' epocha mesquinha, Em que vim peregrino a ver o mundo. E chegar a meu termo, e reclinar-me Á branda sombra de cypreste amigo.
Passa o vento os do portico da igreja Esculpidos umbraes: correndo as naves Sussurrou, sussurrou entre as columnas De gothico lavor: no orgam do côro Veiu, emfim, murmurar e esvaecer-se.
Mas porque sôa o vento?—Está deserto, Silencioso ainda o sacro templo: Nenhuma voz humana ainda recorda Os hymnos do Senhor. A natureza Foi a primeira em celebrar seu nome Neste dia de lucto e de saudade! Trévas da quarta feira eu vos saúdo! Negras paredes, mudos monumentos De todas essas orações de mágua, De gratidão, de susto ou de esperança, Depositadas ante vós nos dias De fervorosa crença, a vós que enlucta A solidão e o dó, venho eu saudar-vos. A loucura da cruz não morreu toda Após dezoito seculos!—Quem chore Do soffrimento o Heroe existe ainda. Eu chorarei—que as lagrymas são do homem— Pelo Amigo do povo, assassinado Por tyrannos, e hypocritas, e turbas Envilecidas, barbaras, e servas.

Alexandre Herculano
О книге

Язык

Португальский

Год издания

2008-06-28

Темы

Portuguese poetry

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