A Pata no Choco
A PATA
CHOCO.
SEGUNDA EDIÇAÕ.
PORTO, 1827:
Na typ. de Viuva Alvarez Ribeiro & Filhos.
—Com licença.—
Vende-se por 50 reis na mesma Imprensa, e na loja da Fama ás Hortas.
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Duas Comadres muito amigas, Maria Pires e Tereza Fernandes , que por nome naõ percaõ, topando-se hum dia no solheiro, travaraõ ateada palestra ácerca de huma Pata no chôco ; assumpto este que, parecendo esteril de sua natureza, ellas souberaõ enriquecêllo com toda a loquéla de tagarelas perfeitas. Por tal motivo, e tambem por mostrar aos curiosos leitores as superstições e ridicularias em que se occupaõ mulheres, aqui vai huma copia fiel daquella pratica extravagante.
Maria Pires. —Eu, Sr.ª Comadre, ando taõ consumida por causa da minha Pata, taõ affligida estou, que naõ lhe digo nada!....
Tereza Fernandes. —Pois que lhe assuccedeo com a sua bixinha, que taõ boa criadeira era?
Pires. —Que me havia de assucceder! cousas dos meus peccados, dos meus grandes peccados, que, sendo sem conta, como na verdade saõ, naõ podem deixar de me acarretar mofinas a montes!