Sonetos - Antero de Quental

Sonetos

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Bibliotheca da Renascença
por
Nenhum de vós ao certo me conhece, Astros do espaço, ramos do arvoredo, Nenhum adivinhou o meu segredo, Nenhum interpretou a minha prece…
Ninguem sabe quem sou… e mais, parece Que ha dez mil annos já, neste degredo, Me vê passar o mar, vê-me o rochedo E me contempla a aurora que alvorece…
Sou um parto da Terra monstruoso; Do humus primitivo e tenebroso Geração casual, sem pae nem mãe…
Mixto infeliz de trevas e de brilho, Sou talvez Satanaz;—talvez um filho Bastardo de Jehová;—talvez ninguem!
Dixit insipiens in corde suo: non est Deus.
Sae das nuvens, levanta a fronte e escuta O que dizem teus filhos rebellados, Velho Jehovah de longa barba hirsuta, Solitario em teus Ceus acastellados:
«—Cessou o imperio emfim da força bruta! Não soffreremos mais, emancipados, O tyranno, de mão tenaz e astuta, Que mil annos nos trouxe arrebanhados!
Emquanto tu dormias impassivel, Topámos no caminho a liberdade Que nos surriu com gesto indefinivel…

Antero de Quental
О книге

Язык

Португальский

Год издания

2006-08-14

Темы

Portuguese poetry

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