Clepsydra / Poêmas de Camillo Pessanha

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Clepsydra
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Composto e impresso: Tip. da T. da Espera, 26
Eu vi a luz em um paiz perdido. A minha alma é languida e inerme. Oh! Quem podesse deslisar sem ruido! No chão sumir-se, como faz um verme…
Tatuagens complicadas do meu peito: —Trophéos, emblemas, dois leões aládos… Mais, entre corações engrinaldados, Um enorme, soberbo, amor-perfeito…
E o meu brazão… Tem de oiro n'um quartel Vermelho, um lys; tem no outro uma donzella, Em campo azul, de prata o corpo, aquella Que é no meu braço como que um broquel.
Timbre: rompante, a megalomania… Divisa: um ai,—que insiste noite e dia Lembrando ruinas, sepulturas rasas…
Entre castelos serpes batalhantes, E aguias de negro, desfraldando as azas, Que realça de oiro um colar de besantes!
Cancei-me de tentar o teu segrêdo: No teu olhar sem côr,—frio escalpello,— O meu olhar quebrei, a debate-lo, Como a onda na crista d'um rochêdo.
Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo E minha obcessão! Para bebe-lo Fui teu labio oscular, n'um pesadêlo, Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu osculo ardente, allucinado, Esfriou sobre o marmore correcto D'esse entreaberto labio gelado…

Camilo Almeida Pessanha
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О книге

Язык

Португальский

Год издания

2007-08-16

Темы

Portuguese poetry

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