A Filha do Arcediago / Terceira Edição
A FILHA DO ARCEDIAGO
FILHA DO ARCEDIAGO
POR
CAMILLO CASTELLO BRANCO
TERCEIRA EDIÇÃO
PORTO EM CASA DE CRUZ COUTINHO—EDITOR 18 E 20—CALDEIREIROS—18 E 20 1868
PORTO—TYPOGRAPHIA DO JORNAL DO PORTO
rua Ferreira Borges, 31
Leitores! Se ha verdade sobre a terra, é o romance, que eu tenho a honra de offerecer ás vossas horas de desenfado.
Se sois como eu, em cousas de romances (que no resto, Deus vos livre, a vós, ou Deus me livre a mim) gostareis de povoar a imaginação de scenas, que se viram, que se realisaram, e deixaram de si vestigios, que fazem chorar, e fazem rir. Esta dualidade, que caracterisa todas as cousas d'este globo, onde somos inquilinos por mercê de Deus, é de per si um infallivel symptoma de que o meu romance é o unico verdadeiro.
Eu sou um homem, que sabe tudo e muitas outras cousas. Não espreito a vida do meu proximo, nem ando pelos salões atraz d'uma ideia, que possa estender-se por um volume de trezentas paginas, que, depois, vil espião, venho vender-vos por 480 reis. Isso, nunca.