A Illustre Casa de Ramires
Porto — Imprensa Moderna
Na pallidez da tarde, entre a folhagem Que o outomno amarellece...
Junto à fonte mourisca, entre os ulmeiros, A cavalgada pára...
Monge, escuta! O solar de D. Ramires Por si, e pedra a pedra se aluira, Se jámais um bastardo lhe pisasse, Com sapato aviltado, as lages puras!
Na pallidez da tarde, entre a folhagem Que o outomno amarellece...
Quando fôres ao cemiterio Ai Soledad, Soledad!...
Ai! que dos teus negros olhos Me vem hoje a perdição...
Baldadas são tuas queixas, Escusados são teus ais, Que é como se eu morto fôra. E não me verás nunca mais!...
Quem te v'rá sem que estremeça, Torre de Santa Ireneia, Assim tão negra e callada, Por noites de lua cheia...
Ai! Assim callada, tão negra, Torre de Santa Ireneia!
Ai! ahi estás, forte e soberba, Com uma historia em cada ameia, Torre mais velha que o reino, Torre de Santa Ireneia!...
Quem já tinha em Portugal Terras de Santa Ireneia!