Monólogo do Vaqueiro
Produced by Vasco Salgado
1910.
Typ. «A Editora»—Conde Barão, 50—Lisbôa
Vaqueiro —Ignacío Peixoto. Rainha D. Maria —Delfina Cruz. Rainha D. Beatriz —Maria Pia de Almeida. Duquesa de Bragança —Palmira Torres. El-Rei D. Manuel —Pinto Costa. Damas . Cortesãos . Pagens . Pastor que traz o cordeirinho —Adelina Abranches. Pastores . Prólogo —Augusto de Mello.
+Prólogo+
Prólogo
_Em a noite de 8 de junho de 1502, nesta cidade de Lisbôa, e na própria câmara da rainha, nasceu o teatro nacional. Nessa noite, mestre Gil,
um que não tem nem ceitil e faz os aitos a el-rei,
representou, em castelhano, o seu «Monólogo do Vaqueiro», ou da «Visitação», que ides ouvir, vertido á letra, em português.
Muito antes de Gil Vicente,—certo é e convem recordá-lo—o povo representava nas igrejas, na largueza dos seus adros ou á sombra das suas naves, os entremeses hieráticos do nascimento e da Paixão de Christo e das vidas dos santos, e cantava os seus vilancicos, bailando suas dansas e folias. Mas o «Monólogo do Vaqueiro», naquela noite memoravel,—que vamos procurar reconstituir—começou a fixar e a ordenar o elemento dramático tradicional, dando-lhe vida eterna.
«A obra de devoção seguinte—diz a rúbrica de Gil Vicente—procedeu de uma visitação que o autor fez ao parto da muito esclarecida rainha D. Maria, e nascimento do mui alto e excelente príncepe D. João, o terceiro em Portugal de este nome.»
E foi—continua a rúbrica—«a primeira coisa que o autor fez e que em Portugal se representou, estando o mui poderoso rei D. Manuel, a rainha D. Beatriz, sua mãe, e a senhora duquesa de Bragança sua filha, na segunda noite do nascimento do dito senhor.»