Flores do Campo

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FLORES DO CAMPO
A propriedade d'este livro pertence, no Brazil, ao snr. Joaquim Augusto da Fonseca.
João de Deus
FLORES DO CAMPO
2.ª EDIÇÃO CORRECTA
PORTO LIVRARIA UNIVERSAL DE Magalhães & Moniz, Editores 12—Largo dos Loyos—14 1876
PORTO: 1876—TYP. DE A. J. DA SILVA TEIXEIRA 62, Cancella Velha, 62

Vem d'alto gozar, lirio! Noite estrellada e tepida; A vista ao céo intrepida Lança, penetra o Empyreo. Dilata os seios tumidos; Larga este terreo albergue; Nas azas d'alma te ergue; Ergue os teus olhos humidos Que vês?—Soes, de tal sorte Que os crêra tochas pallidas, Quando as guedelhas, madidas De sangue, arrasta a morte. —Transpõe-n'os; que, elevando-te, Por cada um d'aquelles, Milhões e milhões d'elles Verás alumiando-te. Ávante pois, acima Dos soes d'uma luz tremula; Alma dos anjos emula! Deus o teu vôo anima. Que vês?—Um vacuo eterno. —E n'elle?—Em ermo tumulo, Em ignea letra (cumulo D'horror) Byron —o inferno. —Foge.—O horror fascina-me. São reprobos que exhalam Horridos ais que abalam O inferno: oh Deus! anima-me. —Escuta-os.—Escutemol-os. Como elles bramem, rugem, E o espaço uivando estrugem... Gelam-se os membros tremulos. —Entra.—Não posso.—Arromba. —Prohibem-m'o.—Subleva-te. —Prohibe-o Deus.—Eleva-te. Acima, ingenua pomba! Que vês? A luz clareia-me. Que céo, que azul ethereo! Oh extasi, oh mysterio! Sobeja a vida, anceia-me. —Falla.—Deus! que harmonia! Aqui a alma exalta-se; A alma aqui dilata-se... Camões! —É a poesia.
Coimbra.

João de Deus
О книге

Язык

Португальский

Год издания

2008-12-23

Темы

Portuguese poetry -- 19th century

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