Cinco minutos

Nota de editor: Devido à existência de erros tipográficos neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final deste livro encontrará a lista de erros corrigidos.
Rita Farinha (Dezembro 2013)
«Julga mal de mim, meu amigo; nenhuma mulher póde escarnecer de um nobre coração como o seu. Si me occulto, si fujo, é porque ha uma fatalidade que á isto me obriga. E só Deus sabe quanto me custa este sacrificio, porque o amo! Mas não devo ser egoista e trocar sua felicidade por um amor desgraçado. Esqueça-me.
C.»
«Meu amigo.
C.»
Non ti scordar di me Addio!...
«Devo-te uma explicação, meu amigo. Esta explicação é a historia de minha vida, breve historia, da qual escreveste a mais bella pagina. Cinco mezes antes do nosso primeiro encontro, completava eu os meus dezeseis annos, a vida começava á sorrir-me.
A educação rigorosa que me dera minha mãi me conservára menina até aquella idade, e foi só quando ella julgou conveniente correr o véo que occultava o mundo aos meus olhos que eu perdi as minhas idéas de infancia e as minhas innocentes illusões. A primeira vez que fui á um baile fiquei deslumbrada no meio d'aquelle turbilhão de cavalheiros e damas, que girava em torno de mim sob uma atmosphera de luz, de musica, de perfumes. Tudo me causava admiração; o abandono com que as mulheres se entregavam a seu par de valsa, o sorriso constante e sem expressão que uma moça parece tomar na porta da entrada para só deixal-o á sahida, esses galanteios sempre os mesmos e sempre sobre um thema banal, ao passo que me excitavam a curiosidade, faziam desvanecer o enthusiasmo com que tinha acolhido a noticia que minha mãi me dera de minha entrada nos salões.
Estavas n'esse baile; foi a primeira vez que te vi. Reparei que n'essa multidão alegre e ruidosa tu só não dansavas nem galanteavas, passando pelo salão como um espectador mudo e indifferente, ou talvez como um homem que procurava uma mulher e só via toilettes . Comprehendi-te, e durante muito tempo segui-te com os olhos: ainda hoje me lembro de teus menores gestos, da expressão de teu rosto e do sorriso de fina ironia que ás vezes fugia-te pelos labios. Foi a unica recordação que trouxe d'essa noite, e quando adormeci, os meus doces sonhos de infancia, que, apezar do baile, vieram de novo pousar nas alvas cortinas de meu leito, apenas foram interrompidos um instante por tua imagem, que me sorria.

José Martiniano de Alencar
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О книге

Язык

Португальский

Год издания

2013-12-29

Темы

Fiction

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