Era uma vez...

Ao Dr. Manoel Murtinho Nobre.
Por mim e pelos meus.
Gratidão.
Nem só os olhos da cara Vêem o que vai pelo mundo: Ha outra vista mais clara, Ha outro olhar mais profundo.
Com esse olhar, menos lento, De olhos de mais atenção, Vê mais longe o Pensamento, Vê mais fundo o Coração.
FILINTO DE ALMEIDA.
Quando a Princesa Edeltrudes nasceu, era tão pequenina, tão pequenina, que poderia dormir á vontade dentro de um dos sapatinhos da Rainha sua mãi. Mas o berço em que a meteram era muito lindo, todo de fios de ouro entrelaçados e grinaldinhas de folhagens e de rosas, simuladas por esmeraldas o rubins.
Com medo de que a sua fragilidade a matasse, bafejaram-na, amimaram-na, rodearam-na dos mais extremados carinhos...
E a Princesinha resistiu, e foi crescendo cheia de vontades imperiosas.
Era ainda muito tenrinha quando um dia a mãi, ao embala-la com as suas próprias mãos côr de cêra, deixou cair a cabeça sobre o peito e adormeceu... E assim como o berço deixou de oscilar, parou no peito da Rainha o coração.
Houve gritos, lamentos, correrias, mas a criança no meio das suas rendas não percebeu cousa alguma e nem um estremecimento sacudiu a carnação rosada do seu corpinho rechonchudo.
E desde então o Rei viveu com medo de que á filha acontecesse o mesmo que acontecera á esposa, e jurou por isso não lhe dizer jámais na vida um—não.

Júlia Lopes de Almeida
О книге

Язык

Португальский

Год издания

2022-10-26

Темы

Fairy tales; Princesses -- Juvenile fiction

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