O doido e a morte - Teixeira de Pascoais

O doido e a morte

Produced by Vasco Salgado
Edição da Renascença Portuguesa Pôrto—1913
Sempre —1897 Terra Prohibida —1899 Sempre (2.^a edição)—1902 Jesus e Pan —1903 Para a Luz —1904 Vida Etherea —1906 As Sombras —1907 Senhora da Noite —1908 Marános —1911 Regresso ao Paraiso —1912 O Espírito Lusitano ou o Saudosismo —1912
Edição da Renascença Portuguesa Pôrto—1913
Impresso em Fevereiro de 1913 na Tipografia Costa Carregal, trav. Passos Manuel, 27—Pôrto.
A Philéas Lebesgue
Era uma fria noite de Natal. Já no zenith a lua derramava A sua palidez misteriosa, Transfigurando as cousas que se mostram Na sombra, com seus gestos de Phantasma E atitudes de estranha Aparição…
Nos solitarios longes montanhosos A nevoa e o luar, chimericos, deliam A moribunda face da Paisagem… E esta, por um milagre e encantamento, Se espiritualisava, convertendo-se Em Figuras de sonho, aéreos Corpos… E eram perfis de Fadas espreitando, Asas de Serafins que, no seu vôo, Pareciam levar alguma Virgem…
A aragem fria e fina arripiava As arvor's e os nocturnos viandantes, E retocava o brilho das estrelas.
Os pinheiros gemiam surdamente; E na face das pedras espelhada, O luar abria n'um sorriso triste.
Vultos negros, opácos de penedos Erguiam-se somnanbulos e mudos No crepusculo, e olhavam como Esphinges…
O Silencio reinava: era o Senhor Da noite e da paisagem, e o seu Reino Para além das estrelas se estendia…

Teixeira de Pascoais
О книге

Язык

Португальский

Год издания

2008-01-15

Темы

Poetry

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