As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes (1882-06/07) - Unknown - Livro

As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes (1882-06/07)

EÇA DE QUEIROZ—RAMALHO ORTIGÃO
Chronica Mensal
DA POLITICA DAS LETRAS E DOS COSTUMES
QUARTA SERIE N.º 1
JUNHO A JULHO 1882
Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição de poder, da escravidão dos partidos da veneração da rotina, do pedantismo das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d'este grande universo, e da adoração de mim mesmo.
P.J. PROUDHON
SUMMARIO
Asociedade portugueza n'este derradeiro quarteirão do seculo pode em rigor definir-se do seguinte modo:—Ajuntamento fortuito de quatro milhões d'egoismos explorando-se mutuamente e aborrecendo-se em commum.
Chamar patria á porção de territorio em que uma tal aggregação se encontra seria abusar reprehensivelmente do direito que cada um tem de ser metaphorico. O espaço circumscripto pelo cordão aduaneiro, dentro do qual sujeitos acompanhados das suas chapelleiras e dos seus embrulhos ou tomaram já assento ou furam aos cotovelões uns pelo meio dos outros para arranjar logar nas bancadas, pode-se chamar um omnibus —e é exactamente o que é—mas não se pode chamar uma patria. A patria não é o sitio em que nos colloca o acaso do nascimento, á mão direita ou á mão esquerda de um guarda da alfandega, mas sim o conjunto humano a que nos liga solidariamente a convicção de um pensamento e de um destino commum.
Já um sabio o disse: Ubi veritas ibi patria. A patria não é o solo, é a ideia.
Para que haja uma patria portugueza é preciso que exista uma ideia portugueza, vinculo da cohesão intellectual e da cohesão moral que constitue a nacionalidade de um povo.

Unknown
Содержание

О книге

Язык

Португальский

Год издания

2004-10-06

Темы

Portugal -- Politics and government -- Periodicals; Portugal -- Civilization -- Periodicals; Portugal -- Social life and customs -- Periodicals

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