Innocencia
Azevedo Castro ,
Se nos antigos tempos da Grecia, me fora possivel erigir custoso templo, dedicava-o á Amizade para no frontispicio gravar o teu querido nome.
Daquelle vivo sentimento permitte-me hoje, amigo, dentro do circulo de fracos e limitados meios, qualquer demonstração.
Não é em valioso monumento que vou inscrever a tua lembrança; simplesmente na primeira pagina de uma narrativa campestre e despretenciosa, de um livro singelo e sem futuro.
Aceita-o como um dos mais espontaneos movimentos da minha alma, que n'esta declaração sincera julga assentar direitos a completo indulto.
A. D'ESCRAGNOLLE—Taunay.
Rio de Janeiro, 8 de Julho de 1872.
Em pouco mais de dous annos esgotou-se a sexta edição de Innocencia e a setima; os dous mil e quinhentos exemplares impressos em meiados de 1903 espalharam-se com relativa rapidez attendendo-se ao facto de que o romance appareceu em 1873 e que a procura de livros no Brazil infelizmente ainda não é das maiores.
Nos ultimos dous annos foi Innocencia muitas vezes publicada em folhetim por periodicos brazileiros e portuguezes; em volume porem só temos conhecimento de duas edições novas; uma allemã, da traducção de Karl Schuler, illustrada por Max Tilke e impressão da casa D. Dreyer & Comp. de Berlim e outra da versão japoneza de Kawana Kwandzo pela revista Fastos Japonezes .
Actualmente conta pois a formosa novella oito traducções enfeixadas em volume das quaes, duas francezas, duas allemãs, uma ingleza, uma hespanhola, uma italiana e uma japoneza; existindo alem dessas, publicadas na imprensa uma em polaco e outra em dinamarquez.
É provavel que brevemente appareça mais uma edição ingleza de nova versão dedicada ao Conselheiro José Antonio de Azevedo Castro, padrinho do livro, a quem o Visconde de Taunay dedicava a mais extremada amizade e affeição retribuida da mais forte maneira.
Soffreram os primeiros capitulos da presente edição ligeiros retoques, á vista de originaes deixados pelo autor e que infelizmente não estiveram ao alcance do revisor da sexta.