Viagens na Minha Terra (Volume I)
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Rita Farinha (Jan. 2008)
Qu' il est glorieux d'ouvrir une nouvelle carrière, et de paraitre tout-à-coup dans le monde savant un livre de découvertes à la main, comme une cométe inattendue étincelle dans l'espace!
x. de maistre.
De como o auctor d'este erudito livro se resolveu a viajar na sua terra, depois de ter viajado no seu quarto; e como resolveu immortalizar-se escrevendo éstas suas viagens. Parte para Santarem. Chega ao Terreiro-do-Paço, imbarca no vapor de Villa-Nova; e o que ahi lhe succede. A Deducção-Chronologica e a Baixa de Lisboa. Lord Byron e um bom charuto. Travam-se de razões os Ilhavos e os Bordas-d'agua: os da calça larga levam a melhor.
Declaram-se typicas, symbolicas e mythicas éstas viagens. Faz o A. modestamente o seu proprio elogio. Da marcha da civilização; e mostra-se como ella é dirigida pelo cavalleiro da Mancha D. Quixote, e por seu escudeiro Sancho Pança.—Chegada a Villa-Nova-da-Rainha, Supplicio de Tantalo.—A virtude galardão de si mesma; e sophisma de Jeremias Bentham.—Azambuja.
Acha-se desappontado o leitor com a prosaica sinceridade do A. d'estas viagens. O que devia ser uma estalagem nas nossas eras de litteratura romantica?—Suspende-se o exame d'esta grave questão para tractar, em prosa e verso, um mui difficil ponto de economia-politica e de moral social.—Quantas almas é preciso dar ao diabo, e quantos corpos se teem de intregar no cemiterio para fazer um ricco n'este mundo.—Como se veio a descobrir que a sciencia d'este seculo era uma grandessissima tola.—Rei de facto, e rei de direito.—Belleza e mentira não cabem n'um sacco.—Põe-se o A. a caminho para o pinhal da Azambuja.
Eu coroarei de trevo a minha espada, De cenoiras, luzerna e betarrava, Para cantar Harmódios e Aristógilons, Que do tyranno jugo vos livraram Da sciencia velha, inutil carunchosa, Que elevava da terra, erguia, alçava O que no homem ha de Ser divino, E para os grandes feitos e virtudes Lhe despegava o espirito da carne...