A UM AMIGO
Vivo triste, sempre dado
Ao martyrio, á dor, ao pranto:
A vida, por meu mau fado,
Não tem para mim encanto!
Nasci p'ra ser desditoso,
P'ra ser feliz não nasci;
Uma esp'rança, um sonho, um gôzo
Nunca n'alma conheci!
Mas dá-me a tua amizade,
Que, sendo tu meu amigo,
Póde ser que a f'licidade
Venha ainda ter commigo.