III

Em noites de luar, noites de primavera,

Ouvia-se dizer:—«Onde estás tu, Glycera?»

N'esse ermo pinheiral, e um longo choro após.

Finda a verde estação, calou-se a triste voz,

E nunca se ouviu mais sahir d'entre os pinheiros.

Um dia, por acaso, um rancho de vaqueiros

Passou alli, e viu estendido no chão

Amyntas, o pastor. Chamaram-no em vão,

Que elle não respondeu. Era gelado, frio.

Dizem que succumbiu ao vêr chegar o estio

Sem Glycera voltar. E tinha a luz do sol

Por cirio funeral, e folhas por lençol.

Mas o rei James V, em seu palacio bello,

Ao pé do lago azul, que espelhava o castello,

Estranhava a Glycera esse tão louco amor,

Que nos braços de um rei pranteava um pastor.