D. Alexandre, Pinto Gallo e depois José
PINTO GALLO—Por esta sua casa, meu bom amigo e protector. Andava á sua procura para lhe agradecer o interesse que por mim tem tomado.
D. ALEXANDRE—Pois olha, eu não vim cá para receber agradecimentos.
PINTO GALLO—Bem sei. Mas...
D. ALEXANDRE (continuando)—Não é esse o objecto da minha estada aqui. Queria fazer-te uma surpresa, mas confesso que, desejando surprehender, fiquei devéras surprehendido com o quadro que a meus olhos se apresentou.
PINTO GALLO (admirado)—Um quadro!... Qual quadro?!...
D. ALEXANDRE—Pinto Gallo, sou teu amigo. Não gosto, portanto, de que alguem se ufane de entrar aqui para fins indignos.
PINTO GALLO—Não sei onde quer chegar!
D. ALEXANDRE—Quero chegar a tua mulher!
PINTO GALLO—Mas que fez ella para o D. Alexandre lhe querer chegar?
D. ALEXANDRE—Pretendia trahir-te no momento em que eu, encontrando aquella porta aberta, pedia licença para entrar.
PINTO GALLO—E elle?
D. ALEXANDRE—Logo que entrei, sahio... Não sei se para a rua, ou se foi occultar-se nalgum esconderijo, esperando a minha retirada.
PINTO GALLO—Perfida! Vou mandá-la chamar. Ha de apresentar-se aqui immediatamente, e então lhe contarei um conto.
D. ALEXANDRE—Não desejo assistir a essa scena! Como ainda tenho que te dizer, vou para a tua sala de bilhar entreter-me com as bolas e o taco. Concedes-me licença?
PINTO GALLO—Ora essa!...
D. ALEXANDRE—Vá la! Sê prudente! O sexo fraco merece do forte a maxima clemencia.
PINTO GALLO—Conter-me-hei.
D. ALEXANDRE—A mim resta-me a satisfagão intima de ter prevenido um amigo d'um perigo imminente que consegui evitar! (sahindo) Cá vou para as bolas!
PINTO GALLO (toca o timbre e José apparece. Encolerisado)—Chama a senhora. Desejo-lhe fallar.
JOSÉ (áparte, sahindo)—Parece que fizeram engallinhar o sr. Gallo!