Os mesmos, D. Alexandre e Engracia

D. ALEXANDRE (de taco e retrato na mão)—Então que scenas são estas, Pinto Gallo?! Andas jogando as cristas ou temos toirinhas?!...

DR. MANSO (tirando-lhe o retrato e beijando-o. Áparte)—Meu anjo!

ENGRACIA—Que barulho é este?

PINTO GALLO (a Engracia, apontando Carneiro)—Conhece-o?!... Explique-se!

ENGRACIA—O senhor é que tem de se explicar com o sr. Carneiro!

D. ALEXANDRE—Porquê?

ENGRACIA (a Alexandre)—O senhor sabe-o tão bem como eu!...

D. ALEXANDRE—Eu?!

DR. MANSO (ao mesmo tempo que D. Alexandre)—Meu sôgro?!...

ENGRACIA (a D. Alexandre)—Sim, o senhor. Não se recorda do que escreveu? (dando uma carta a Carneiro) Leia!

CARNEIRO (depois de ler)—Esta claro como agua! Sou casado com Felicidade Côrte Real e tenho duas filhas Victoria e Gloria, e logo...

D. ALEXANDRE—Ora batatas, sr. Carneiro! A Felicidade, a que me refiro nessa carta, não é de carne e osso, nem tão pouco a Victoria nem a Gloria.

PINTO GALLO—A Victoria foi a que cantei em Africa luctando com os pretos, e a Gloria o resultado da palma, obtida com felicidade.

ENGRACIA—E a tua entrada na Real Côrte ou Côrte Real?

DR. MANSO—É a nomeação do valente militar, o sr. Pinto Gallo, para ajudante de campo de Sua Magestade.

CARNEIRO E ENGRACIA—Sendo assim... (Caem aos pes de Pinto Gallo. O dr. Manso beija o retrato).

PINTO GALLO—Levantem-se! Nunca mais deixo cartas na mesa...

ENGRACIA—Por que não me participaste?!...

PINTO GALLO—Aguardava bom ensejo...

CARNEIRO—Nesse caso, as minhas filhas podem casar com os filhos do sr. Gallo...

PINTO GALLO—Amam-se, pelo que ouço! (Pensando) Por isso elles ainda agora pareciam querer censurar-me! Effeitos da carta!...

ENGRACIA—Consentes o casamento?

PINTO GALLO—Com o maior prazer!

D. ALEXANDRE (a Pinto Gallo)—Ainda não te apresentei meu genro!

DR. MANSO—Já nos apresentámos um ao outro! (batem á porta).