Pinto Gallo e Engracia

PINTO GALLO—Talvez que o proceder de Engracia seja motivado pela frieza com que a trato. Mas não ha motivos que justifiquem o adulterio!

ENGRACIA (entrando)—Que me deseja?

PINTO GALLO—Então a senhora acceita a côrte de outro homem e recebe-o nesta casa?!...

ENGRACIA (no mesmo tom)—Então o sr. faz a côrte a outra mulher da qual ja tem duas filhas?!...

PINTO GALLO—Eu?

ENGRACIA—Faça-se de novas, ande!

PINTO GALLO—E mesmo se assim fosse, acha digno o seu procedimento?!

ENGRACIA—Ha uma differença! É que o sr. tem filhas d'essa mulher, e eu... só hoje consenti que o meu amado me osculasse as mãos.

PINTO GALLO (zangado)—Senhora!... Eu não tenho filhas!

ENGRACIA (continuando)—E demais, é troca por troca! A sua amada é a mulher de meu amado! Trocaram-se os pares! Não acha o caso muito original?!...

PINTO GALLO—A senhora zomba de mim!

ENGRACIA—O sr. é que foi infiel!...

PINTO GALLO—Quando?

ENGRACIA—Calcule!... Para ter já filhas casadouras!...

PINTO GALLO—A senhora não me faça perder a cabeça!

ENGRACIA—Não vale a pena por tão pouco... Procure a sua Felicidade!

PINTO GALLO—E bem preciso, porque tu roubas-te-m'a!

ENGRACIA—Ah! Já sabes que tens um Carneiro á perna!

PINTO GALLO—Não gosto de perna de carneiro!... Retire-se minha senhora. Meus olhos já não a podem fitar!

ENGRACIA (sahindo)—Sr. Gallo...