I

O Espirito de Deus passou pelo meu espirito, e disse-me: vai, e faze resoar nos ouvidos das turbas palavras de terror e de verdade.

E eu obedecerei ao meu Deus no meio dos punhaes de assassinos.

Povo!… breve soará a tua hora extrema: tu mesmo a assignalaste no decorrer dos tempos.

O anjo exterminador vibra sobre ti a espada da assolação, e tu danças e folgas ebrio das tuas esperanças.

Essa terra que pisas crês que é um solo remido por tuas mãos: repara porém; olha que é um sepulchro.

Amplo é o sepulchro de um povo: dentro em breve tu ahi calarás para sempre.

Creste-te forte, porque sabes rugir como a panthera: mas somente Deus é grande.

Encheste o vaso das tuas iniquidades; elle trasbordou, e a terra ficou polluida.

Maldictos os nomes dos que accenderam o volcão popular; nomes abominaveis perante o céu e a terra.

Portugal foi pesado na balança da eterna justiça, e a Providencia retirou a mão de cima delle.

Derribem-se os altares, cerrem-se as portas dos templos: Deus já não acceita os sacrificios, nem ouve as preces deste povo, senão como uma expressão de escarneo.

E como o aquilão varre a folha secca do outono, o sopro do Senhor varrerá da face da terra esta raça corrompida e immoral.