IX

É pois a associação o cumprimento d'uma lei natural.

Na progressiva evolução d'essa lei e a par d'ella, vejo eu caminhar a humanidade; desinvolver-se, se se ella cumpre; estacar, se pára; definhar, se{54} esmorece; seguindo-a sempre e resentindo-se de suas menores alterações.

E é de razão, porque, a ser o fim do homem na terra o desenvolvimento de suas faculdades, que outra há mais nobre e importante; que mais influa nos seus destinos que esta lei da sociabilidade?

Por ella se póde aferir o grau de civilisação d'este ou d'est'outro povo porque ahi onde mais o homem se estreitar com o homem, aonde mais de um irmão ajudar o outro irmão, ahi tambem mais o espirito tenderá a elevar-se—e de feito se há-de elevar—elevação que toda se desata em muita sciencia, muito bem e muita ventura.

Reconhecidos estes principios, reconhecidos—quasi direi—demasiadamente, houve quem d'elles se possuisse a ponto de n'elles querer buscar todo um systema de organisacão social.{55}

Desvairou-os o amor d'um principio, o conhecimento d'uma lei natural, por ventura a ignorancia de muitas outras; e, encarando o homem por lado restricto, quizeram o desenvolvimento d'uma faculdade á custa das outras todas.

Não quer isto porém a harmonia, essa outra lei de Deus, que tem de presidir—como revelando-a—a toda a creação.

É mister que a todas as faculdades seja dado um maximo desenvolvimento; mas é mister tambem que cada uma, ao alargar a sua esphera, não vá calcar outras, a quem egual direito assiste...