VI
A industria e o commercio, os dois mais poderosos e mais incansaveis agentes e creadores da riqueza das nações, lá tem nos campos alicerce, lá foram buscar á agricultura todas as forças com que operam, todas as galas de que se revestem.
O ferro, com que o homem fabricou novos orgãos, para ajudar os que a natureza lhe déra; o carvão, com o auxilio do qual centuplica as suas forças; lá lh'os tinha a terra guardados no seu{49} seio, como mãe carinhosa: o linho, de que fabrica os vestidos que o revestem, tambem já lourejou pela encosta de suas collinas: o madeiro, que recurvado sulca as ondas em busca de novos mundos, tambem orgulhoso e gigante se ergueu outr'ora no meio de suas florestas: o grão, que o nutre; o fructo, que o delicia; o vinho, que lhe dá mais vida e alegria; tudo isto tambem por lá cresceu e medrou, tudo isto de lá saiu.
A sciencia, a mais nobre de todas as sciencias de Deus, porque é a sciencia do infinito—a astronomia—tambem lá vae nos campos buscar a sua origem: lá nasceu entre humildes pastores, lá se desenvolveu, até que o homem das cidades, orgulhoso já de sua grandeza, a veio usurpar aos que primeiro a descobriram, para, no remanso do gabinete, ou no terraço do observatorio lhe dar ainda maior desenvolvimento.{50}
A geometria—por ventura mãe da astronomia, tambem nos campos tem seu berço.
Todas as artes lá vão buscar as materias com que operam, muitas tambem as suas melhores inspirações.