XIV
Associação e Liberdade dissera eu serem essas duas ideias aonde se depara mais verdade e que, ambas fundidas em factos, podem dar fructo mais sasonado e proveitoso; o leito por onde placida póde correr, demandando seu termo, a torrente—ora revolta e turbada por mil encontrados elementos que ahi{63} se revolvem e guerreiam—da vida das modernas sociedades.
E como não seria assim, se ramos frondosos de arvore, que no coração do homem tem fundas as raizes—a propria natureza, têm por fim, entrelaçando-se estreitamente e em mutuo amplexo apertando-se, ampararem-se e defenderem-se uns a outos, porque assim reciprocamente se protejam no crescer e no fructificar? Se são ara sacro-santa aonde os animos discordes em busca da verdade—mas que d'alma a buscam, tem de vir pactuar a alliança, queimando ahi, em holocausto incruento, o fel de paixões ruins e desamoraveis ¿como poderão ellas, por estranho desapego e ingratidão mentir ao que, em nome de futuro melhor, nos promettem, e a que, na fé d'esse almejado futuro prestamos crença e esperança illimitadas?
Não podem. Quanto á intelligencia e{64} coração do homem se revela uma verdade, tam rica de evidencia, tam promettedora de consolações, não póde «Aquelle» que ao espirito a revelara deixal-a sem que pela revelação dos factos receba confirmação e com ella foros de inconfutavel.
Uma ideia assim nunca mente.