I

Eu amo a noite ás horas socegadas
Que o Senhor manda á terra, como balsamo
A tanta dôr que a punge, e o sol do dia
Parece escarnecer com tanto brilho,
Nem sabe respeitar; quando o silencio
Com manto protector envolve os tristes,
Os que choram saudades; quando o orvalho
Refresca o seio á flôr, e em cada balsa
A viração prepassa suspirando;
Quando é mais puro o ár, mais doce a brisa,
Mais sumidos, mais vagos os rumores,
E detraz da montanha, saudosa
Como a virgem dos sonhos, surge a lua.