VII
Por ti, noite de amor, por ti nos desce
Tanta ventura ao seio; e como o orvalho
Que o pó da terra ressequido e árido,
Que o vento impelle, fixa sobre o sólo
E como que consola e allivia,
Assim como teu effluvio o triste espirito
Que incerto das paixões refoge á duvida,
N'uma crença fixaste—a crença eterna
Do amor universal, todo harmonias,
Porque és affectos toda! Em cada balsa
Descanta um rouxinol; a cada rosa
Uma brisa osculou; em cada fonte
Brilha um raio da lua; em cada peito
Murmura um ecco que de amor só falla!
Mosteiro da Batalha, 1861.