II.
A M. C.
Não busco n'esta vida gloria ou fama:
Das turbas que me imporia o vão ruido?
Hoje deus, e amanhã já esquecido,
Como esquece o clarão de extinta chama!
Fóco, que a luz em torno não derrama,
Tal é essa ventura; éco perdido,
Quanto mais se chamou, mais escondido
Fugiu e se esqueceu de quem o chama.
Cada flor d'essa croa é um engano,
Como a nuvem das tardes ilusoria,
Como o misterio vão d'um vão arcano.
Mas croe-me tua mão a fronte ingloria,
Cinge-me tu o louro soberano…
Verás, verás então se amo essa gloria!