XVIII.

Ignoto Deo.

Espremos no Senhor! Ele ha tornado
Em suas mãos a massa inerte e fria
Da materia impotente e n'um só dia,
Luz, movimento, ação, tudo lhe ha dado.

Ele ao que é pobre d'alma ha tributado
Carinho e amor; Ele conduz á via
Segura quem lhe foge e se extravia,
Quem um momento só não o ha lembrado.

E a mim, que aspiro a Ele, a mim que o amo,
Que tenho vida em mim, que anceio o brilho,
Hade negar-me o termo d'este anceio?

Buscou quem o não quiz; é a mim, que o chamo,
Hade fugir-me, como a ingrato filho?
Oh Deus! Senhor! meu Pae! espero! eu creio!