*MADRIGAL DA RUA*
Ó irmã das açucenas!
Meu coração é um horto,
Semeado de mais penas
Que as chagas d'um Christo morto.
Tanto é ver-te o meu desejo!
Tanto em mim poder conservas!
Que eu creio se não te vejo
Já ser debaixo das hervas!
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Debaixo d'essas janellas
Sempre crueis e fechadas,
Hontem á noute, ás estrellas,
Deram-me quatro facadas!
Mas nenhuma fez no peito
O mal,—que por minha cruz!
Os teus olhos me tem feito
Dando facadas de luz!