*NO ENTERRO D'UM CORAÇÃO*
(A Betencourt Rodrigues)
Vaes a enterrar nas hervas verde-escuras,
Na fria terra, ó santa, que devias
Não ter roçado estas paixões impuras,
E estas lepras,—irmã das cotovias!
Vaes a enterrar sob as folhagens frias,
—Vóz alegre, rir cheio de doçuras!
Ó lindo coração! que só te abrias
Para a dôr das alheias amarguras!…
Vão-te levar á terra, ó casto e amado!—
Mas olha!—os vegetaes tem mais cuidado
Dos seios virginaes do que a paixão!…
Adeus, triste!… Adeus peito amante e ardente!
—Quem me déra comtigo, juntamente,
Ir tambem a enterrar, ó Coração!