*O CANNIBAL*
(A C. Verde)
Tenho, defronte, uma visinha loura
Cuja carne alva, fina e setinosa,
Faz lembrar, quando á tarde o sol descóra,
A côr humana pallida da rosa.—
Não é fragil, nem debil, vaporosa,
Como as virgens mortaes que a luz não doura,
Antes é forte, esbelta e a voz sonora,
—Tranquilla e altivamente magestosa!
Nasceu formada assim para os amores;
E o modo com que rega as suas flores,
Na varanda, a sorrir, não tem rival!…
Ao vel-a os D. Juans baixam a falla!…
—Mas quanto a mim… quisera devoral-a…
Com a fome imbecil d'um cannibal!