*III*

Em silencio temos por cá pranteado os males de nossa patria: temos devorado as lagrimas: e sem nenhum murmurio elevado temos a Deos o nosso pensamento: e sobre seus altares temos por holocausto offerecido as magoas de nosso coração, por supplicar-lhe que affaste de nossa Patria o seu rigor, tão justo, mas tão pungente.

Com resignação christã soffrido temos em nossos irmãos todo esse rigor da justiça divina por mãos dos homens, irmãos nossos, infligido.

Com Fé de Portuguezes temos esperado que a misericordia divina transforme os nossos males em venturas.

É com dor, mais que acerba, que bem vemos não se applacar a justa ira do
Senhor!

Tarde, bem tarde expiaremos as nossas culpas!

Tarde, bem tarde alcançaremos graça!

Porque a maldição de um Deos peza sobre o lusitano povo, como sobre o povo escolhido!

Porque um perjurio, um sacrilegio tanto excitaram a colera celeste que muito longa e tormentosa terá de ser a expiação!

Porèm diz-nos a consciencia, animada pela Fé robusta de nossos Pais, que muito e muito haverá de soffrer este povo escolhido; mas soffrer não deverá ser ignominia, aviltamento; porque elle é grande em sua pequenez, que encerra um passado glorioso, um futuro providencial para a felicidade, para a regeneração da caduca Europa!

A nossa voz rompe o silencio dos irmãos nossos, magoados, que choram pela Patria, e se envergonham de que os vejam chorar em terra alheia; e abafam seus gemidos para não parecerem ingratos, elles, que aqui não soffrem, na terra mais hospitaleira e venturosa!

Egoista, que por viveres abrigado de tantas miserias não te importa a fome e a guerra, que vão matando os teus irmãos n'outro hemispherio.

Devasso, que porque sobre a tua face não foi dada a bofetada, tua face fica pallida, impassiva, indiferente á affronta que lá soffreram, a duas mil legoas, os teus compatriotas.

Nenhum de vós se atreva a ler este papel.