IX
Rainha!
Manda o Teu sceptro de ferro para os Teus arsenaes.
Ve-lo-Has transformado em espadas, ancoras, pelouros, e arados.
E os pulsos dos Teus Portuguezes, ainda magoados das algemas que lhes Lançaste, Verás como ganham vigor para defender-Te, e para humildes servir-Te.
Humildes por amor!
Para leval-os ao combate, e depois do combate a seu trabalho, Toma Tu uma leve canna, como Teus Avós fizeram, e Vae, risonha, nobre e compassiva, ante elles, que são Teus filhos.
Leval-os-Has onde Quizeres; porque, apesar do que Has feito, elles Te amam.
Leaes cavalheiros, só querem que não te esqueças de que És sua Mãi, e de que nem mesmo entre as féras ha Mãi para consentir que seus filhos sejam offendidos por estrangeiros.
Tu Crês que não És sua Mãi, elles se consideram Teus filhos, e hão de amar-Te, em quanto Fores, ao menos madrasta sua e não Estrangeira, Tu, que És filha de D. Pedro.
Se Queres ser cruel embora o Sejas.
Teus subditos são cavalheiros leaes, que nunca tingiram suas mãos no sangue dos seus Reis, no cadafalso, como fizeram já aquelles a que recorres, aquelles cuja bandeira se arvora a Teu reclamo, em terras de Portugal!
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Rainha pelos Portuguezes!
Teus subditos soffrerão tudo, tudo por Ti; menos a infamia de uma bofetada por mão de Regicidas.
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Rainha pelo amor e pelas armas de Portugal!
Preferes ser tyranna?
Matta os Portuguezes Tu mesma: não os Aviltes.