ADVERTENCIA
Entre o precedente Serão do Casal e o seguinte, falta o do mez de Maio. O autor estava ausente.
A 21 de Fevereiro partira para Lisboa, deixando promptos os d’esse mez e dos dois immediatos, esperando regressar a tempo de não haver interrupção. Mas os negocios, que tão empenhado o levavam á Côrte, só o deixaram tornar a 24 de Maio.
Eram estes negocios a approvação dos Estatutos da Sociedade dos Amigos das Lettras e Artes em S. Miguel pelo Governo, e a concessão de um pouco de terreno nacional n’esta Ilha, a cerca do extincto convento da Conceição, desaproveitada, e as ruinas da contigua egreja de S. José, para a Sociedade ali edificar á sua custa uma casa para as suas escolas, sessões, exposições, concertos musicos, representações scenicas, etc.; tudo objectos de publico e manifesto interesse.
Fez o autor em ambas estas diligencias tudo quanto era humanamente possivel; e, apezar da santidade e generosidade de taes requerimentos, da optima sombra que de toda a parte os cercou desde a primeira hora, das formaes e reiteradas promessas dos que mais podiam influir no despacho, o que só logrou trazer foram os Estatutos approvados (ainda assim com suas restricções desconfiadas, que uma tão desambiciosa Sociedade por ventura não merecia), e uma esperança, já então muito vaga, de se obter o terreno; o terreno, condição tão substancial para a existencia da Sociedade, como a existencia da Sociedade provadamente o é para o progresso e lustre das Artes, das Lettras, e da sociabilidade n’esta paragem.
N’este livro, repositorio de sãos desejos, propostas e ousadias civilisadoras, entendeu-se não seria mal cabida uma singela memoria de taes factos, pois quando se lhe pôz por titulo Felicidade pela Agricultura, na palavra agricultura se abrangeram implicitamente, como até agora se tem visto, e se continuará a ver até ao fim, todos os outros verdadeiros interesses inseparaveis d’ella, quer os consideremos activa, quer passivamente; e para os quaes, Deputados e Ministros amigos da terra não poderiam deixar de olhar com amor principalissimo.
A mesma razão, que o autor no Prologo deu, de haver colligido n’este volume alguns dos seus artigos impressos no Agricultor Michaelense, lhe fez força para aqui lhes intercalar os seguintes, que, por andarem dispersos em periodicos, já hoje estavam sendo como se não existissem.
O amor-proprio nada fez para o caso. O autor sabe o pouco valor de forma litteraria, que ha em tudo isto; mas crê, em sua consciencia, que deixa a seus filhos um bom exemplo, e a outros cidadãos zelosos indicações uteis. Finalmente: pela publicidade, que muitas vezes é mãe da opinião, como esta quasi sempre o vem a ser dos factos, figurou-se-lhe que poderia, perante o Parlamento e o Throno, dar assim um derradeiro impulso á pretensão pendente.
¡Di faciant!
Não quer o autor perder este lanço de agradecer, perante os contemporaneos e vindoiros, ás pessoas que mais sollicitas se teem havido em patrocinar o requerimento:
ao sr. D. Pedro da Costa de Sousa de Macedo, então dignissimo Governador Civil de Ponta-Delgada;
aos srs. Redactores do Açoriano, e do Correio d’esta mesma cidade;
ao da Revista Universal Lisbonense, e aos de outras folhas de Portugal, nomeadamente ao do Diario do Governo, o sr. Vilhena Barbosa;
ao sr. Mexia, benemerito Secretario da Camara electiva;
aos honrados Membros da Commissão de Fazenda da mesma Camara;
a um grande numero de Senhores Deputados e Dignos Pares;
ao mui distincto Presidente do Tribunal do Thesoiro;
ao sabio ex-Ministro da Fazenda, o sr. Franzini;
ao exemplar de Governadores Civis, o sr. José Silvestre Ribeiro, etc., etc., etc.
......não é premio vil ser conhecido
por um pregão do ninho seu paterno.