PREAMBULO
I
...dapibus mensas oneramus inemptis,
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II
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III
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IV
V
VI
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VII
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VIII
IX
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X
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XI
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XII
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XIII
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XIV
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XV
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Negreja ao réz do Tibre annoso Helerno,
santo bosque, onde levam sacrificios
inda agora os Pontífices romanos.
Ali nasceu outr'ora, ali vivia
a que nossos avós chamavam Grane,
casta Nympha, de excelsos pretensores
pedida vezes mil e em vão pedida.
Era seu exercicio errar nos campos,
as feras perseguir com dardo agudo,
e as redes emboscar nos fundos valles.
Inda que aljava ao lado não trouxesse,
criam-n-a irman de Phebo; o parentesco
não poderia, ó Phebo, envergonhar-te.
Quando algum namorado a requestava,
tinha prompta a resposta.—«Aqui,—dizia—
ha nímia luz, e a luz dobra a vergonha...
Se preferes entrar n'aquella gruta,
sigo-te.»—Á gruta o crédulo voava;
ella torcia o passo, ia á carreira
das moitas na espessura homisiar-se;
d'ali desencantal-a era impossivel.
Viu-a Jano, e de a ver ficou perdido;
combateu lhe o rigor com brandos rogos,
e a sólita resposta obteve em prémio:
que entrasse além na gruta. Obedeceu-lhe;
segue-o a principio a Nympha... eis pára... eis foge.
O que lhe fica apóz vê Jano. Ó louca,
no usado esconderijo em vão confias;
olha como t'o observa, e t'o devassa.
Não ha que resistir-lhe... eis-te em seus braços;
eil-o comtigo a sós na cava penha,
onde havias buscado o teu refugio.
Saciados os sôffregos desejos,
—«Em paga d'este goso—exclama o Nume—
dos quícios a tutella eu te confio;
pela honra perdida esta conserva.»
Assim falando, candida varinha
lhe entrega, com que os tétricos asares
das protegidas portas afugente.
Existem de brutal voracidade
umas infames aves; não já essas
que de Phineu a meza espoliavam,
mas da mesma relé: cabeça grande,
fito olhar, bico audaz, grizalhas plumas,
garra adunca; esvoaçam pela noite;
onde encontram creança ao desamparo,
que a ama deixou só, prestes a empólgam,
arrancam-n-a do berço, e a dilaceram.
Diz que as lactentes vísceras co'os róstros
lhes picam, lhes devoram; teem as fauces
sempre repletas de sorvido sangue.
Do estridor com que as trevas alvorótam,
lhes vem o nome: estriges se nomeiam.
Estas pois, quer de si nascessem aves,
quer em aves, de velhas que antes foram,
fatal conjuro marso as encantasse,
penetraram de Proca no aposento.
Com cinco soes de edade, o innocentinho
era ao bando ferino egregio pasto.
Já co'as gulosas linguas ferem, sugam
o tenro peito nu; sôam do infante
os consternados trémulos vagidos,
com que, á falta de voz, auxilio pede.
Corre a ama assustada; acha nas faces
do caro alumno seu lavado em sangue
das brutas garras os crueis vestigios.
¿Que fará? vê-lhe o rosto exangue, murcho,
que na côr arremeda as tardas folhas
já do rígido inverno bafejadas.
Corre a Grane; o successo lhe relata.
—«Cobra valor—a Nympha lhe responde;—
viverá teu alumno.»
Entrada ao berço,
acha a mãe, acha o pae, sôltos em pranto.
—«Eis-me; enxugae as lágrimas—exclama;—
vou tornar-vol-o são.» Diz, e tres vezes
de medronheiro com frondosa vara
fere da estancia as portas; outras tantas
co'a mesma vara o limiar sinála;
rega o ádito; as aguas com que o rega
encerram salutifera mistura.
Entranhas cruas de bimestre porca
toma nas mãos, e diz:
—«Aves da noite,
í-vos, deixae as puerís entranhas.
N'esta pequena victima tenrinha
o tenro pequenino aqui resgato;
é coração por coração; tomae-o;
por visceras são visceras; redima
esta existencia immunda outra mais nobre.»
Finda a sacra oblação, corta o deventre,
e esmiunçado o vai pôr aos ares livres,
prohibindo do rito ás testemunhas
olhal-a então ninguem; por fim colloca
a vara de oxiacanta, o don de Jano,
na janellinha que dá luz ao quarto.
Consta que desde então não mais volveram
ao berço aves ruins; saude, cores,
tudo refloresceu no innocentinho. [3]
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XVI
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O loireiro bate bate,
que eu bem o sinto bater.
Para comigo cantares
has-de tornar a nascer.
Á couve se come a folha;
come-se a raiz ao nabo.
Só te espero ver casado
sendo mulher o diabo.
Navio d'el-Rei é grande,
é grande e chega ao Brazil.
Se namorares alguma,
não seja á luz do candil.
Sequidão cria o centeio,
frescura cria os repolhos.
¡Quem me estreára comtigo,
menina, os lençoes de folhos!
Al porto di Livorno
è giunto un bastimento.
Cara, morir mi sento!
mi sento, o Dio, mancar!
XVII
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XVIII
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—Ó ia, eu te digo ó Maria,
Ó iga, que se tu és minha amiga,
Ó á, botes as cabras para cá,
Ó enda para me ajudares a comer a merenda,
Ó eijo, que tenho aqui brôa e queijo,
Ó ôas, e umas maçans muito bôas.
XIX
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.....que derruba o chapeo,
.....vivo sedilia saxo.
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—¿San-João das barbas doiradas,
onde foste ter as orvalhadas?
—Fui as ter áquellas hortas,
recordar aquellas cachopas.
Recordae, recordae, perguiçosas,
que da fonte já veem as formosas,
com as talhas cheias de cravos,
que lh'os deram os seus namorados,
com as talhas cheias de flores,
que lh'as deram os seus amores.
San-João, rico cavalleiro,
companheiro de Nosso Senhor,
acompanhae a minha alma
quando d'este mundo fôr.
—¿Por que tendes, San-João,
esses sapatinhos brancos?
—Para passear ás moças
domingos e dias santos.
—¿D'onde vindes, San-João,
que assim cheirais á macella?
—Venho da serra da Estrella,
de fazer uma capella.
—¿D'onde vindes, San-João,
pela calma sem chapeo?
—Venho beber agua fresca,
que faz calor lá no ceo.
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XX
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XXI
........ munera nondum
Intellecta deum!....
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Parve, nec invideo, sine me, liber, ibis in Urbem.
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XXII
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XXIII
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XXIV
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XXV
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XXVI
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