A LUA.
Figlia del ciel, sei bella!
Ma verrà notte ancor, che tu, tu stessa
Cadrai per sempre, e lascierai nel cielo
Il tuo azzurro sentier!
CESAROTTI.
Salve, ó Lua candida,
Que traz dos altos montes
Erguendo a fronte pallida,
Dos negros horisontes
As sombras melancolicas
Vens ora afugentar!
Salve, ó astro fulgido,
Que brilhas docemente,
Melhor que o lume tremulo
D’estrella inquieta, ardente,
Melhor que o brilho esplendido
Do sol ferindo o mar!
Salve, ó reflexo tenue
Da eterna luz preclara
Nas nossas noites horridas;
Qual sol que em lympha clara
Desponta os raios vividos,
Em tarja multicor;
Es como a virgem púdica,
Que amor no peito encerra;
Mas só, mas solitaria,
Vagando aqui na terra,
Treplíca o sello mystico
Do não sabido amor!
Eu te amo, ó Lua candida,
No gyro somnolento,
E o teo cortejo madido
De estrellas, e do vento
O sopro merencorio,
Que á noite dá frescor.
Por teos influxos magicos
Minha alma aos sons do canto
Revive; e os olhos humidos
Gotejão triste pranto,
Que orvalha a chaga tepido,
Que mingua a antiga dôr!
Em gelido sudario
De neve alvi-nitente,
Por terras vi longinquas,
Durante a noite algente,
A tua luz benfica
Luzir meiga do céo.
Nos mares solitarios
Tão bem a vi!—nas vagas
Brincava o lume argenteo,
Cantava o nauta as magas
Canções, no voluntario,
Cançado exilio seo!
Tão bem a vi na limpida
Corrente vagarosa;
Tão bem nas densas arvores
De selva magestosa,
Coando os raios lubricos
No lobrego palmar.
E eu só e melancolico
Sentado ao pé da veia,
Que a deslisar-se timida
Beijava a branca areia;
Ou já na sombra tetrica
Da mata secular;
Em devaneio placido
Velava, em quanto via
Ao longe—os altos pincaros
Da negra serrania,
—Disformes atalaias,
Que sempre alli serão!
No rórido silencio
Minha alma se exaltava;
E das visões phantasticas,
Que a lua desenhava,
Seguia os traços aureos,
Tremendo em negro chão!
Pensava ledo, improvido,
Até que de repente
Da minha vida misera
Se me antolhava á mente
A quadra breve e rapida
Do malfadado amor.
Então fugia attonito
O bosque, a selva, a fonte,
E as sombras, e o silencio;
Bem como o cervo insonte,
Que ás setas foge pavido
Do fero caçador!
Salve, ó astro fulgido,
Que brilhas docemente,
Melhor que o lume tremulo
D’estrella inquieta, ardente,
Melhor que o brilho esplendido
Do sol ferindo o mar.
Eu te amo, ó Lua pallida,
Vagando em noite bella,
Rompendo as nuvens turbidas
Da rispida procella;
Eu te amo até nas lagrimas
Que faces derramar.