INNOCENCIA.

Sans nommer le nom qu’il faut bénir et taire.

S. BEUVE.

Ó meo anjo, vem correndo,

Vem tremendo

Lançar-te nos braços meos;

Vem depressa, que a lembrança

Da tardança

Me aviva os rigores teos.

Do teo rosto, qual marfim,

De carmim

Tinge um nada a côr mimosa;

É bello o pudor, mas chóro,

E deploro

Que assim sejas tão medrosa.

Por innocente tens medo

De tão cedo,

De tão cedo ter amor;

Mas sabe que a formosura

Pouco dura,

Pouco dura, como a flôr.

Corre a vida pressurosa,

Como a rosa,

Como a rosa na corrente.

Amanhã terás amor?

Como a flôr,

Como a flôr fenece a gente.

Hoje ainda es tu donzella

Pura e bella,

Cheia de meigo pudor;

Amanhã menos ardente

De repente

Talvez sintas meo amor.