ROLA.

Desque amor me deo que eu lêsse

Nos teos olhos minha sina,

Ando, como a peregrina

Rola, que o esposo perdeo!

Seja noite ou seja dia,

Eu te procuro constante:

Vem, oh! vem, ó meo amante,

Tua sou e tu és meo!

Vem, oh vem, que por ti clamo;

Vem contentar meos desejos,

Vem fartar-me com teos beijos,

Vem saciar-me de amor!

Amo-te, quero-te, adoro-te,

Abraso-me quando em ti penso,

E em fogo voraz, intenso,

Anceio louca de amor!

Vem, que te chamo e te aguardo,

Vem apertar-me em teos braços,

Extreitar-me em doces laços,

Vem pousar no peito meo!

Que, se amor me deo que eu lêsse

Nos teos olhos minha sina,

Ando, como a peregrina

Rola, que o esposo perdeo.