SONETO.
Novo exemplo aqui tens, mísero humano, Que incensas os Altares da vaidade, Aqui te mostro a estrada da verdade, Por onde ao Templo vás do desengano:
De Polyfemo o lamentavel damno, De Galatéa a horrenda falsidade Te excitem a fugir da crueldade, Que he premio certo desse amor tyranno!
Elle consome os bens, a honra offende, O socego perturba, arrisca a vida, E o coração mais livre assalta, e rende.
Ah! Destróe essa mão féra, humicida, Rompe os duros grilhões, com que te prende, Quebra-lhe as setas, ficará vencida.