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Ha já duzentos soes, ha quatro luas,
Que te pedi que a Igreja abandonasses.
Tu és cruel, Senhora! continúas,
Como se agora apenas começasses.
Á sexta-feira e ao sabbado jejuas,
E tanto te pedi que não jejuasses.
E o que dóe mais, Senhora, é que insinuas
Em voz que tanto dóe: «Se me imitasses...»
Nenhuns peccados tens. És anjo e santa.
Boa como o ceu, simples como a planta,
Cozes p'ros pobres, fazes boas-obras!
Quaes são os teus peccados? peccadores
Senhora! são os vossos confessores.
Homens e basta: são máos como as cobras!

Lisboa, 1897.

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Monologo d'Outubro

A MEU IRMÃO AUGUSTO

Outomno, meu Outomno, ah! não te vás embora!
Ás minhas, eu comparo as tuas extranhezas.
Ah! nos teus dias não ha Julhos nem aurora,
E só crepusculos... Crepusculos são tristezas!
E tu que já passaste o Outomno só commigo
Não pensas ao cahir de tantas agonias
Nas minhas, que tu sabes, ó meu melhor amigo?
Cahi, folhas, cahi! tombae melancholias!
Ides morrer, folhas! mas morrer que importa?
Lá vae mais uma... mal nasceu e já vae morta.
Levaes saudades? Coitadinha, sois tão nova!
Tendes razão? Nem sei a fallar a verdade.
Tombar quizera eu, só p'ra esquecer. Saudade,
Irmão, não a terei tambem, lá pela cova?...

Foz, 1897.