16
Mamã te chamo porque me trazes ao peito,
Filha te chamo pelo mimo que te dou,
Irmã te chamo porque te tenho respeito,
Noivinha te chamo porque teu noivo sou!
17
Na sexta-feira ás dez horas olha p'ra lua,
Que eu, tão longe, ai tão longe! hei-de olhal-a tambem:
Assim minha alma encontrar-se-á lá com a tua!
E quem se encontra, filha!, é porque se quer bem!
18
Tu és altinha como eu, embora
Eu seja um homem e tu uma criança!
Tanto que ao irmos pela estrada, agora,
Ouvi dizer: «Que lindo par de França!»
19
Teus olhos são dois ceus. E nelles leio
O que nos outros lêem os pastores:
Estrella da manhã dos meus amores!
Sete estrello que vaes do ceu em meio!
20
Ai que saudade! O amor das Extrangeiras!
Que chegam, sabe Deus d'onde e com que fito,
E um dia, lá se vão andorinhas ligeiras,
E nunca poisam, andorinhas sem Egypto!