JOANNINHA

A Mayer Garção

Descance de quando em quando…
Passar assim toda a tarde
Sempre bordando, bordando,
Sem que um momento desista,
Até faz pena! Não lhe arde
Nem se lhe perturba a vista?…

Descance de quando em quando…
Erga os olhos do bordado
E veja quem vae passando.
O trabalho alegra a gente,
Mas assim, tão aturado,
—Não lhe faz bem certamente.

Erga a carinha tranquilla,
Erga esse rosto tão lindo
E veja os moços da villa
A passarem por aqui,
Uns descendo, outros subindo,
—E todos d'olhos em si…

Descance de quando em quando
E veja se escolhe algum;
Já é tempo d'ir pensando
Em casar. Não é assim?…
Se não lhe agrada nenhum,
—Diga se gosta de mim.

Desde os começos do outono
Que eu a trago no sentido,
Não como, não tenho sono,
Tudo me dá ralação?
Quer-me para seu marido?
—Diga que sim ou que não…