MÃOS FRIAS CORAÇÃO QUENTE

Dez da manhã. Vento da serra. Tres graus negativos

Mãos frias, coração quente!
Quanta vez isto dizias
Com o teu ar sorridente,
Apertando-me as mãos frias…

Agora decerto o tenho
Num brazeiro, num vulcão.
O frio é tanto, é tamanho
Que a penna cae-me da mão…

Q'ria dizer-te o que penso
E o que faço e premedito,
Mas posso lá ser extenso
Com este frio maldito!

Tu perdoas certamente,
Tu não te zangas, pois não?
Mãos frias, coração quente
—Lá diz o velho rifão…