Scena VII do Auto
OS MESMOS E UM ANJO, QUE SE METTE EM MEIO DOS DOIS REIS
Canta:
Detem-te, barbaro turco!
Cessa a tua infeliz sorte;
Faz-te christão, que não tarda
Que te apanhe a feia morte.
CÔRO (dos pastores)
Faz-te christão que não tarda
Que te apanhe a feia morte.{83}
Rei turco (declama)
Eu sou o rei Almeirante
La do reino da Turquia;
Nunca fui prezoneiro,
So do rei da Lixandria!
O Anjo (canta)
Detem-te barbaro turco, etc.
CÔRO (dos pastores)
Faz-te christão que não tarda
Que te apanhe a feia morte.
Rei turco (afflicto)
Que é isto? que sinto? que tenho eu aqui? (Com a mão sobre o estomago) Que tenho eu aqui?
Frederico
Hade ser vinho. (A Morgadinha ri-se ás escancaras.){84}
Macario (sobremodo indignado)
Não ha noticia de tamanho escandalo!.. 0 snr. escrivão está mostrando que é um homem de sentimentos muito herejes!..
Cosme
E eu assaz me espanto que a snr.ª morgadinha applauda com a sua hilaridade estas interrupções indecentes!
Rei turco (zangado)
Eu cá é que não estou p'ra chalaças!.. Passem por cá muito bem. Por aqui me esgueiro. Ó rapasiada, vamos embora. Manda tocar a marcha ó Antonho da Pêga. (Sáe com os personagens do auto, atraz da Musica, que vae tocando a marcha.){85}