SCENA VIII
FREDERICO, CABOS, UM DESCONHECIDO, E CAMPONIOS
Frederico (com intimativa bellica)
Formem em linha. Carregar armas!
Um cabo
Estão carregadas.
Frederico
Vamos ser atacados pelos desordeiros. Á voz de fogo, atirem. (Vê-se atravessar a scena por{96} entre o povo um Desconhecido de chapéo derrubado, o rosto coberto por um lenço, de caraça, polainas de briche nas pernas e pés, com um grosso páo de choupa. Proximos de Frederico os valentões param, com os páos cruzados nas pernas, gingando em attitude ameaçadora. Frederico, não se desvia dos cabos. De repente, rompem de fóra uns poucos varrendo o campo a pauladas.)
Frederico
Cabos de policia, sentido! Preparar armas! (Sáe perto da bocca da scena o Desconhecido. Encosta-se ao páo observando os movimentos dos valentões, os quaes vem já avançando, já recuando, crescendo sobre Frederico.)
Frederico (aos cabos)
Aperrar armas! (Uma paulada faz saltar a clavina das mãos d'um cabo. Os outros fogem. Frederico recúa, apitando rijamente. No maior aperto, o Desconhecido salta para a beira d'elle, descobre a choupa do páo, e arremette com os aggressores. Estes, forçados pela destreza, fogem,{97} logo que o primeiro cáe d'uma paulada. A vozeria cresce no momento em que o palco está despejado. O Desconhecido trava do braço de Frederico, e o traz á bocca da scena.)
Frederico
Quem é o valente homem a quem devo a vida?! quem é?
Morgadinha (arrancando o lenço do rosto)
Sou eu! salvei-te, Frederico!
Frederico
Ó morgadinha de Val-d'Amores! Tu!.. oh! tu!.. Como és ideal e angelica! (Ajoelhando.){98} {99}