AO PUBLICO

Distribuiu-se ahi ha dias com generosa profusão um libello famoso por motivos a que sou completamente estranho, mas em que nem por isso quizeram que eu deixasse de figurar.

Indignou por ahi a todos a alludida publicação, sem exceptuar os proprios amigos ou parciaes do signatario d'ella, o snr. Anselmo de Moraes. Dou-me com isso por bem vingado das malevolas intenções que me apontaram ás iras atravessadas do insultador enraivecido. Não ha desforço pessoal que valha tanto, e, ainda que o houvesse, não seria eu que o tirasse. A dignidade nem sempre manda procurar o aggressor, antes ás vezes exige que se evite.

O meu fim é, pois, sómente esclarecer o publico, a quem respeito, como devo, e de quem quero continuar a merecer bom conceito, ácerca da perfida insinuação com que se intentou manchar a minha probidade commercial, que só d'isto posso aqui fallar sem offensa da moral publica. Obrigou-me aquella insinuação a dirigir-me ao exc.mo snr. José Gomes Monteiro, que, como homem de bem, se dignou dar-me o testemunho que se segue:

Snr.

Respondendo restrictamente á carta que de V. acabo de receber, cumpre-me declarar, como o exige o meu caracter, que durante o tempo que sob a minha direcção V. serviu a casa da snr.ª viuva Moré, nunca d'ella subtrahiu cousa alguma ou quantia e prestou regularmente as suas contas.

De V.

Porto 28, 7, 74.

attento venerador

José Gomes Monteiro

Depois d'isto seria de mais tudo quanto eu podesse dizer. Fica o publico habilitado para fazer o seu juizo.

Ernesto Chardron.

FIM DO 8.º NUMERO


EMENDAS AO N.º 7

Pag. 47, lin. 15: quer-me parece, emende: quer-me parecer.

Pag. 95, lin. 10: king-charles, emende: king's-charles.