SCENA III
JOÃO LOBO E D. ANTONIA
João Lobo
A mim cumpre-me lembrar-lhe, minha senhora, que o estado de seu irmão é melindroso.{222} Olhe que os dois fios quasi quebrados d'aquella vida estão mal soldados. Sacudam-lhe a alma com alguma leve paixão, que os fios partem-se...
D. Antonia (impaciente)
Mas que fiz eu ou que disse?!
João Lobo
Não sei o que V. Ex.ª disse ou que fez. O que sei é que a snr.ª D. Antonia odeia sua cunhada.
D. Antonia
Que calumnia! odeio minha cunhada!
João Lobo (sempre sereno)
E, se puder perdêl-a, perde-a.{223}
D. Antonia
Porquê?.. por que hei de eu querer perdêl-a?..
João Lobo
Não lhe respondo. O meu silencio pede á sua consciencia que responda, minha senhora. E se V. Ex.ª calar a voz da consciencia, verá como ahi na sociedade do Porto se levantam cem vozes a dizer-lhe...
D. Antonia
O quê?..