CAPITULO XLI
Dos Lugares que El-Rei D. Affonso Anriques depois tomou na Estremadura, e Alem do Tejo.
Depois de El-Rei D. Affonso Anriques ter tomado Lisboa como se já disse, logo naquelle anno seguinte andando a era de N. Senhor em mil e cento e quorenta e oito annos, (1148), foi El-Rei sobre Alanquer, e Obidos, e Torres Vedras, e sobre outros Castellos da Estremadura, que ainda eram de Mouros, durando em os tomar seis annos, e depois que os teve assentados, e assi toda a terra da Estremadura, ajuntou todas suas gentes, e passou-se a Alentejo, onde fez grande destruição em os Mouros, tomando-lhes Alcacere, Evora, Elvas, Moura, e Serpa, e outros lugares até chegar a Beja, o qual tendo-a cercada entrou grande poder de Mouros pela Comarca da Beira a fim de retraher, e fazer cessar o dano que El-Rei em elles fazia em Alentejo, e cercaram Trancozo, e depois de combatido e tomado por força destruiram o logar, e deixaram-no, matando muitos Christãos, e levando muitos delles cativos.
El-Rei D. Affonso posto que lhe estas novas chegassem, não se quiz levantar do cerco, que tinha sobre Beja, antes a combateo então fortemente com engenhos, e artilharias, até que a tomou por força, e pelo despeito que tinha do mal que os Mouros fizeram em Trancozo, todos os Mouros de Beja andaram á espada, ficando mui poucos vivos. Foi Beja tomada na era do Senhor de mil cento e cincoenta e cinco annos (1155). Feita assi esta destruição nos Mouros, e havidas estas vitorias nas terras Dalentejo, leixou El-Rei Beja, e todolos outros Lugares mui bastecidos, e providos de Cavalleiros, e gente que os mui bem podassem defender, e guardar, e tornou-se para Coimbra com muita honra, e grande prazer, pelas mercês, e grandes vencimentos, que lhe N. Senhor Deos contra Mouros dera.