PROLOGO
A Chronica de Duarte Galvão é a lenda de Affonso Henriques, do fundador de Portugal. O autor encontrou noticias, narrativas, tradições; agrupou-as, apurou-lhes a linguagem, e formou assim a Chronica que apresentou a D. Manoel. Mais tarde mudaram costumes, augmentaram convenções sociaes, cresceu a polidez cortezan, e a critica abafou o livro perigoso, inconveniente. Chegaram a chamar-lhe conjuncto de fabulas. As brigas com a mãi, a violencia feroz com o legado de Roma offendiam os bons costumes, as delicadas maneiras.
Na Chronica ha lenda e tradição a par de narrativas baseadas em factos. As luctas com D. Affonso de Castella, as campanhas systematicas e porfiadas com os sarracenos, todo esse esforço enorme para augmentar o reino e garantir-lhe a independencia são factos averiguados.
A bella tradição a respeito de Egas Moniz, a do cavalleiro Henrique e da palmeira que nasceu na sua cova, a lenda do corpo de S. Vicente, guardado pelo corvo, são lendas ou tradições antigas acreditadas já na funda edade media, justificadas pela escultura, pela epigraphia, ou por antiquissimos escriptos. A descripção do casamento de D. Mafalda, filha de D. Affonso Henriques, parece ter uma base verdadeira, algum escripto mui antigo que o chronista soube approveitar.
É interessante attender á maneira como os historiadores trataram do fundador do reino; Duarte Galvão no começo do seculo XVI; Antonio Brandão no seculo XVII; Alexandre Herculano no meio do XIX. Os elementos de trabalho vão crescendo, e o entendimento humano apura-se; vê-se mais e melhor; a critica, a analyse profundam com maior liberdade. Não devemos esquecer que Duarte Galvão foi uma summidade no seu tempo. Antonio Brandão foi uma intelligencia superior. Herculano o intellectual maximo, energico trabalhador com intenso fermento artistico. A maneira como estes tres espiritos tratam o fundador, e o conjuncto de recursos que elles possuiam, constitue um motivo de estudo merecedor de attenção.
Sobre Duarte Galvão é bem que se leia a noticia que vem publicada no
dicionario da lingua portugueza, da Academia Real das Sciencias de
Lisboa (Tomo 1.^o e unico. Lisboa, 1793. Catalogo de autores, pag.
CXXVII).
==Galvão (Duarte) nasceu pelos annos de 1446, e faleceo em 1517 «carregado (como diz João Pinto Ribeiro) (a)» de annos, de prudencia, «e de autoridade.» no mar da Arabia, na ilha de Camarão, indo de mandado del-Rei D. Manoel por Embaixador a David, Emperador e Rei dos Abexins.
El-Rei D. João II. o enviou com grandes poderes por Embaixador a Maximiliano I. Emperador de Alemanha, seu primo coirmão, Rei naquelle tempo dos Romanos, e prezo em Burgos pelos Governadores da dita Cidade. E se bem o achasse já solto, quando chegou a Flandres, lhe fez todavia abalizados serviços, muito a contentamento do mesmo Rei. Segunda vez voltou por Embaixador a Alemanha, e conforme expressamente declara Damião de Goes, servio os dous Reis, D. João II. e D. Manoel «em muitas Embaixadas nas cortes dos Papas, e do Emperador Fedrique e Maximiliano, seu filho, e dos Reis de França e Inglaterra, e em outros muitos negocios, de que sempre deo boa conta.» O referido Goes já em outro lugar, a que se remette, havia tratado, como diz, «o demais das calidades e partes dignas de louvor, que nelle se dava.» Tendo sido os Priores Crasteiros de Santa Cruz de Coimbra, Chronistas do Reino desde o anno de 1145 por provisão del-Rei D. Affonso Henriques «até o tempo del-Rei D. Affonso V. o Prior mór de santa Cruz D. João Galvão, (assim o escreve o Chronista dos Conegos Regrantes de S. Agostinho) deo o officio de Chronista do Reino a seu irmão, Duarte Galvão, pelos annos de 1460, ainda que sobre isto houve grandes resistencias por parte dos Priores Crasteiros de Santa Cruz, e durou a demanda por muito tempo.» Por ordem del-Rei D. Manoel começou, mas não proseguio, as Chronicas dos Reis, seus predecessores, para cujo trabalho, e para cousas outras de mór importancia foi homem por sua doutrina assás desperto e mui sufficiente, conforme o reputa Rui de Pina.
Vir non minus aetate, quam prudentia, ac rerum usu gravissimus he elle qualificado por Damião de Goes. Raro em sciencia e valor o denomina João Pinto Ribeiro; homem douto, Duarte Nunes do Leão. Publicou-se modernamente:
Chronica do muito alto, e muito esclarecido Principe D. Affonso Henriques, primeiro Rey de Portugal, composta por Duarte Galvão, Fidalgo da Casa Real, e Chronista Mór do Reino. Fielmente copiada do seu original, que se conserva no Archivo Real da Torre do Tombo. Offerecida á Magestade sempre Augusta del-Rey D. João V. nosso Senhor por Miguel Lopes Ferreyra. Lisboa Occidental, na Officina Ferreyriana M. DCC. XXVI.==fol.
«Nesta Chronica, que Duarte Galvão diz, que fez de novo (são palavras de Damião de Goes) faltão muitas cousas, que não chegárão á sua noticia.» O Abbade Barboza traz o lugar citado, e com elle prova que Goes dissera, que Duarte Galvão a fizera de novo. Mas esta asserção, como se vê claramente, só pertence ao mesmo Galvão, a quem Goes a attribue. O qual porém nisto mesmo se enganou, visto que o referido Galvão no Prologo da sobredita Chronica, dirigido a el-Rei D. Manoel, assim lhe falla: «Pelo qual, Serenissimo Senhor, como quer que além da materia, me haja de ser trabalho e difficuldade ajuntar e supprir cousa de tantos tempos, desordenada e falecida, e para haver de emendar escritos alhêos, vejo que armo sobre mim juizos de muitos:» O que se ajusta melhor com o parecer de Barros, o qual escreve, que Duarte Galvão sómente lhe apurára a lingoagem antiga em que estava escrita.»
«E quem quer que foi (prosegue o mesmo Barros) o compoedor della dará conta a Deos de macular a fama de tão illustres duas pessoas, como forão a Rainha Dona Tareja, e el-Rei D. Affonso Henriques, seu filho.» Acudio a isto com a merecida emenda o P. Fr. Antonio Brandão na terceira Parte da Monarchia Lusitana. André de Resende só diz que Duarte Galvão a escrevéra: porém Pedro de Mariz a declara expressamente recopilada de outra antiquissima por mandado del Rei D. Manoel. No mesmo engano de Goes, cahio depois Gaspar Estaço, dizendo assim:
«Como escreve Duarte Galvão na Chronica del Rei D. Affonso Henriques, que elle compôz por mandado del Rei D. Manoel, a quem a dedicou: da qual elle não foi autor, senão apurador do antigo lingoage, em que andava, como diz João de Barros. Espantame dizer Duarte Galvão (no principio desta Chronica) que elle a fez de novo, porque o Chronista Fernão Lopes, Escrivão da Puridade, que foi do Infante Santo D. Fernando, e Guarda mór da Torre do Tombo fez todas as Chronicas dos Reis té seu tempo como prova Damião de Goes.» Rui de Pina, André de Resende, Duarte Nunes do Leão, e muitos outros de grande autoridade o dão por Autor da sobredita Chronica==.
Nos manuscriptos da Bibliotheca Nacional de Lisboa encontro oito copias desta Chronica. A marcada B—12—8 tem no final a data 1568. Bello exemplar é a B—4—2 (n.^o 376), escripta no seculo XVI. Da mesma epoca a B—4—4 (n.^o 378). Ha tres copias do seculo XVII; uma destas foi doada pelo bispo de Beja, D. fr. Manoel do Cenaculo. Do seculo XVIII possue a Bibliotheca duas copias. A copia n.^o 841 offerece algumas notas e explicações do texto.
Acho ainda um fragmento sob n.^o 8.169. Em todas estas copias acho os taes quatro capitulos riscados para a primeira edição. Parecem estes codices ter pertencido a particulares, não a institutos religiosos: não lhes vejo sellos ou ex-libris de conventos. A Chronica foi impressa em Lisboa em 1726, eliminados os celebres capitulos escandalosos.
Antes d'isto a publicação da Monarquia Lusitana, pòde suppôr-se, tornára inutil a impressão ou publicação da chronica de Affonso Henriques por Duarte Galvão. Mas, talvez por causa dos taes capitulos continuaram a fazer-se copias; ainda, em pleno seculo XVIII, depois da impressão, se fizeram copias. Esta a razão de por todos os archivos se encontrarem copias manuscritas da chronica de Galvão.
Os quatro capitulos foram publicados na Revista litteraria do Porto (1838, 2.^o vol. pag. 322). Ahi se fazem as observações seguintes.
Quatro capitulos ineditos da Chronica de D. Affonso Henriques por Duarte
Galvão
A Chronica de D. Affonso Henriques por Duarte Galvão, foi estampada pela 1.^a vez, em Lisboa no anno de 1726.
«O original desta Chronica» diz Barboza, em sua Bibliotheca Lusitana, «se conserva no Archivo Real da Torre do Tombo, da qual extrahio uma copia fiel Miguel Lopes Ferreira, e a publicou em nossos tempos».
A simples inspecção da mesma Chronica impressa denuncia a incorreção da asserção de que a copia fiel gozou da luz publica.
No «Prologo ao Leitor» falla Miguel Lopes Ferreira do modo seguinte:—«Nesta historia se acham alguns pontos encontrados com a verdade, o que de nenhum modo se deve attribuir á malicia do Autor, senão a que naquelle tempo devia de ser esta a tradicção, que havia entre nós, mal fundada no principio, e peor continuada na boca dos que a passavão a outros, em que, como é natural, cada dia se vai desfigurando e perdendo sua fórma verdadeira. Estes descuidos emendou doutissimamente o Dr. Fr. Antonio Brandão, na 3.^a Parte da Monarchia Luzitana, porque examinou a verdade no segredo dos Cartorios em que estava sepultada.
Algumas pessoas me aconselhavão que lhe fizesse notas, porém segui o parecer de outros, que assentárão, que como esta Chronica se imprimio para os que sabem, (Curiosa razão! Sómente os sabios devião lêr a Chronica; e não haveria ignorante que se quizesse instruir!) elles não ignorão pela lição de Fr. Antonio Brandão o que é tradição errada. Sahe pois a Chronica d'El-Rei D. Affonso Henriques da sorte que a escreveu Duarte Galvão.»
Enganou-se Miguel Lopes Ferreira. Não foi tão brando em sua qualificação dos «pontos encontrados com a verdade,» o Censor Regio por cuja alçada teve a Chronica de passar, nem seguia elle systema de cura tão leniente e delicado. São suas palavras:
«Vi a Chronica d'El-Rei D. Affonso Henriques, que compoz Duarte Galvão, e que quer mandar imprimir Miguel Lopes Ferreira. De um louvo o zelo em fazer publicar as Chronicas dos nossos Reis, que tantos tempos ha que se conservão manuscriptas, e do outro não posso deixar de lhe não accusar a negligencia com que se houve na composição desta Chronica, porque parece que não fez exame algum para o que havia de escrever. Mas como vejo riscado nella alguns capitulos, e tudo vejo reformado pelo Dr. Fr. Antonio Brandão Chronista Mòr do Reino, no 3.^o Tomo da Monarchia Luzitana, bem se pode imprimir sem escrupulo»…
A mutilação da Chronica foi portanto publicamente annunciada.
Mas já não estava na mão de D. José Barbosa, ou de quem quer que foi que riscou esses capitulos, o privar a posteridade da gratificação de saber quaes esses effeitos da neglicencia e nenhum exame do Chronista, que El-Rei Dom Manoel encarregou de escrever a historia do Fundador da Monarchia Portugueza.
Já em 1600 tinha Duarte Nunes de Leão impresso suas «Chronicas dos Reis de Portugal,» e na Vida e feitos de seu 1.^o Monarcha tinha elle dedicado um capitulo inteiro ao texto e á refutação das fabulas da Chronica velha[1] de D. Affonso Henriques. Este texto encerra toda a substancia dos Capitulos que hoje publicamos em sua fórma original.
Havia ainda outro autor em cujas obras (ineditas em 1726) tinha sido incorporada a materia dos Capitulos riscados. Fallamos de Christovão Rodrigues Acenheiro, que escreveo em 1535 um Summario das Chronicas dos Reis de Portugal, cuja publicação devemos á Academia Real das Sciencias de Lisboa. (Ineditos da Historia Portugueza, Tomo 5.^o—1824). Ahi encontramos esses impugnados feitos de D. Affonso Henriques, e encontramos de mais um juizo do Compilador sobre elles muito mais franco, muito mais claro, e muito menos mistico, do que aquelle que quiz idear Duarte Galvão. «Devem bem de notar os Reis e os Principes Christãos» diz Acenheiro, «estas façanhas do Cardeal e Bispo, e quanto devem pugnar pela honra de suas pessoas e Reino, quando com justiça e verdade o perseguem, como este Catholico Rei fazia e fez».
Não é comtudo do nosso intento entrarmos na discussão da veracidade da narração do nosso Chronista, que muito longe nos levaria, e em empreza nos metteria para a qual não temos forças.
Numerosas são as duvidas que obscurecem a historia dos começos da Monarquia. A illigitimidade do nascimento da Snr.^a D. Thereza, mãi de D. Affonso Henriques—seu casamento com D. Fernando Peres de Trava, Conde de Trastamara, que a seu proprio irmão D. Vermuim Peres, (com quem já era casada) a usurpou,[2]—suas desavenças com seu filho e guerras que contra elle suscitou,—a jornada que por causa do exito de uma destas D. Egas Moniz emprehendeu a Castella;—a prisão a que D. Affonso Henriques condemnou sua mãi e desavenças que por este respeito teve com o Papa:—todos estes são pontos que tão tenazmente se tem affirmado, como fortemente combatido.
Todavia a um e outro ponto já a bem instituida critica tem feito devida justiça; e a illigitimidade do nascimento e segundo casamento de D. Thereza (pelas doutas Dissertações de Antonio Pereira de Figueiredo, no Tomo 9.^o das Memorias da Academia Real das Sciencias de Lisboa—1825), assim como a jornada d'Egas Moniz (pela descripção de seu tumulo, como ainda hoje se vê em Paço de Souza, o que tambem devemos á mesma Academia) são pontos já reconhecidos como demonstrados. Mas tanto nestes, como nos assumptos que fazem o immediato objecto dos capitulos que ajuntamos, ha lugar para contestação, na qual não quizeramos aqui entrar: por não termos outros fins em vista além da integração do texto d'um dos nossos antigos Chronistas.
Não podemos comtudo deixar de apontar a infelicidade de Duarte Nunes de Leão na formula de seus argumentos. De todos os factos contenciosos que temos indicado fórma elle uma cadêa, cuja mutua e necessaria dependencia julga intuitiva, e contentando-se com expor a falsidade das allegações d'um só facto, pertende d'ahi inferir a falsidade de todos; e deste modo d'argumentar conclue que a Snr.^a D. Thereza nunca fôra 2.^a vêz casada, nunca teve desavenças com seu filho, nunca suscitou o Rei de Castella contra elle, e que nem Egas Moniz fôra offerecer-se a este com a corda ao pescoço, nem D. Affonso Henriques prendêra sua mãi, nem o Papa tivera motivo algum para enviar um legado a Portugal. Mal estava Duarte Nunes se voltassemos o argumento contra si mesmo, e pela indubitabilidade do offerecido sacrificio do Ayo de nosso 1.^o Rei, corroborassemos a verdade de toda a narrativa de Galvão.
Fraco arguente era o Licenciado. O alto nascimento e as nobilissimas allianças de sangue da Snr.^a D. Thereza erão para elle effectiva salva-guarda em abono da virtude da mesma Senhora; e comtudo, nessa mesma pagina, não acha elle absurdo em traspassar todo esse montão d'infamias á propria irmã dessa mesma princêza, com quem igualava em nobreza!
Algumas das suas razões não deixão de ter seu xiste. «O dito Snr. D. Affonso» (o 6.^o de Castella) «como Catholico Rei que era, quando lhe morria uma mulher, casava logo com outra»! E daqui funda elle motivo para se crer que D. Ximena Nunes de Gusmão (mãi de D. Thereza) fôra sua legitima esposa, que não concubina. Quanto ás circunstancias que poderião afiançar alguma exactidão em Duarte Galvão, contentar-nos-hemos com dizer que foi filho de um secretario de D. João 1.^o e de D. Affonso V, e irmão d'um Bispo de Coimbra, e Escrivão da paridade do ultimo citado monarcha. Elle mesmo foi Secretario de D. João 2.^o, e alem de Chronista-mor, foi encarregado de varias missões importantes. Temos portanto que nem relações nem occasião pessoal lhe faltárão para certificar-se do que era verdade.
Sobre o Bispo negro não deixa de parecer especiosa a explicação que offerece Fr. Joaquim de Santa Roza de Viterbo em seu Elucidario:—
«Muitos monges forão tirados dos Mosteiros para encherem o lugar de Bispos: e como não depunhão o Habito Monachal, que era Preto, o Clero se compunha á imitação do seu Prelado. Deste tempo ficou na Sé de Coimbra a mal tramada Fabula do Bispo Negro. Este foi D. Bernardo, Francez de Nação, Monge de S. Bento, e Arcediago de Braga, feito por S. Giraldo, de quem escreveo elegantemente a vida. O Principe D. Affonso Henriques (a despeito de sua mãi, a Rainha D. Thereza, e todo o Clero e povo de Coimbra, que postulavão para Bispo daquella Sé o Arcediago da mesma D. Tello) o nomeou Bispo de Coimbra no anno de 1128. E como este monge nunca depôz o habito dos Negros como então chamavão aos que professavão a Religião de S. Bento, e os Conegos da Sé de Coimbra vestião branco, em razão das grandes sobrepelizes que então uzavão; os mal affectos dizião que tinhão naquella Sé um Bispo Negro, para não dizerem com maior indecencia, e atrevimento, um Negro Bispo».
Elucidario, Tomo 1.^o pagina 285.
Mas esta explicação, recebida com cautella em quanto aos factos allegados, não deve ter-se senão em conta de conjectura.
A copia dos Quatro Capitulos que aqui offerecemos ao publico foi tirada sobre um nitidissimo exemplar manuscripto em pergaminho da Chronica de Duarte Galvão que vimos em Santa Cruz de Coimbra, e que deve hoje existir na Bibliotheca Publica Portuense. Este exemplar era coetaneo dos tempos do Chronista-mor, e na encadernação e riqueza das iniciaes illuminadas, inculcava ter pertencido a pessoa ou repartição Real; e coincide, na discripção que fez Pedro de Mariz no Prologo á sua intentada edição da Chronica de D. Affonso 4.^o por Rui de Pina com os Codices que se guardavão na Torra do Tombo.
A copia é verbal, mas não julgamos conveniente conservar a orthographia daquelles tempos.
Acautelamos os menos versados contra muita copia espuria da Chronica de
D. Affonso Henriques por Duarte Galvão, que se encontra nas Bibliothecas
Manuscriptas. A maior parte são compilações.
Igual advertencia fazemos em quanto ás copias que por ahi andão (e algumas de pessoas doutas) destes mesmos Capitulos==.
Na presente edição os quatro capitulos entram na sua competente altura.
G. Pereira.