II

Pobre Zé Agostinho! Infeliz sorte
A que Deus dá sempre aos que são maiores!
Olha para Bocage e outros cantôres…
Ao menos que esta ideia te conforte!

Ha destinos mais brutos que Mavorte,
Que o Deus Mavorte de crueis furores;
Nos calculos mais certos, sem favores,
O Fado surge e arruma cerce córte.

O Augusto reclamou-o o Tiro-Tauro,
E com razão, porque o feroz centauro…
De paparoca, á festa tambem vem.

Tens outro, á certa, e bom, (já é quisilia!…)
Tens o Bocage Lima: é da familia,
E, embora gago, representa bem.

+Projecto d'um carro monumental+

Na azafama de carros allegoricos
É natural que falhe a fantazia,
Por isso eu vou dizer o que faria,
E vejo em meus ideaes fantasmagoricos.

Da commissão o carro comporia
Com elementos proprios, e rhetoricos,
De effeitos mais que certos e fosforicos!
Que o gosto mais audaz desbancaria.

N'uma galera, entre «ondas salitrosas»
Os secretarios, toda a Commissão,
Feitos Nereydas, Tágides dengosas…

Tridente em riste na escamosa mão,
Barbudo e em pelo, olhando as salerosas,
O Fragoso faria de Tritão.

+A festeiros diversos+

Festejam-no vossês porque está morto…
Fosse Elle vivo, quanto o morderiam!
Frades e hypocritas o que fariam
Ao seu magro canelo rijo e torto!

Gabam-lhe o nome com um ar absorto,
Mas quanto a lê-lo, adeus!… Olhem que o liam
Os ferozes maniques que o prendiam
Como suspeito e perigoso aborto.

Festejam-no vossês que nunca o lêram
(E se o lêram alfim não o entenderam!)
Festejam-no por bródio e funcçanatas

Gastem dinheiro seu: comprem-lhe a obra,
Que tão rica e tão vária se desdobra…
Não vale só frigir, oh pataratas!

+Consolação final+

Não choreis, terra minha, a desventura
Da perda do Bocage genial,
Já sem ossos, sem cinza, e sepultura,
Mais do que o vivos vive, é immortal!

Rir não deveis tambem pela ventura
De seres o seu berço casual;
Rires demais tambem será loucura.
Moderai-vos na furia festival.

Temos por cá ainda muito vate,
E o genio authentico do Calafate,
Que reclamem festejos e alegria…

Temos genios em barda, e (sem biscate)
Temos tambem, para maior remate,
Temos cá outro Manuel Maria.