+VERSOS+

EM HONRA DO GRANDE POETA

+Manoel Maria Barbosa du Bocage+

+Imprecação a Bocage+

Fostes, Elmano, um lyrico famoso
Como poucos por cá têm apparecido,
Mas quando sois maior, e mais luzido,
É quando a satyra soltaes fogoso.

É latego que estala rancoroso,
Ou ri e brinca, com valor brandido,
E vibra e rasga, e que se impõe temido
Ao inimigo mais formidoloso.

Dae-me essa força, Elmano, o estro candente,
Dae-me tambem o guisalhar da troça
Com que soubeste castigar contente!…

Quero coisa feraz que faça móssa,
Que ha por hi muita cousa e muita gente
Que reclamam, ha muito, brava coça!

+A sua desgraça+

Não lhe bastava a crúa e acerba sorte
Que sempre o grande vate perseguiu,
Sempre a empurrá-lo a um fatal desvio
Da cova ao berço, do nascer á morte?

Esfarrapado rei em sua Côrte,
Quasi sem roupa muita vez se viu;
Depois de morto expõem-no á chuva e ao frio
Em estatua tosca e de medonho córte!

Como preito já velho, honroso, e ufano,
A um jornal pulha dão seu nome (Elmano).
Quebram-lhe a penna as pedras dos garotos…

Lavam-no (agora!) a bombeiral esguicho,
E o livro (que não leram!) cheio de lixo,
E o pedestal mijado por marotos…

+Depois da conferencia do dr. Manuel de Arriaga+

Conheciam-no só p'lo vão renome:
D'aquella esguia estatua (que é grotesca)!
Ou d'um antigo galeão de pesca
Que se condecorava com seu nome.

Outros d'um theatro que morreu de fome
Depois d'uma existencia principesca,
E muitos da anedocta picaresca…
Que ainda ha quem a sério não o tome…

Agora que é sabido o que elle foi…
Inda o 18 (esperto e audaz heroe)
É capaz de o metter no cagarrão.

O que o livra do estranho desacato
É o Teixeira (que apanhou retrato…)
Sêr o Macaco lá da commissão!

+A consultar os astros+

O Presidente que é um homem sério
E que é de letras gordas, mas facundo,
Vae deslumbrar a terra, a patria, o mundo,
Com um discurso pleno de podério.

Andam da inspiração no grave imperio
O Brandãosinho, lyrico profundo,
E o Leonardo, de genio furibundo,
Que só de ouvir-lhe a voz treme o hemispherio.

O Jorge Gomes e outros luminares,
João Pinto, Luciano, andam nos ares
Como o Padilha interrogando estrellas…

Sonham foguetes, córos, reinações,
Mas tremem de pavor e em orações
Rogam ao Deus das chuvas e procellas…

+Pede-se um Bocage para a associação dos caixeiros+